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O Bom, o Mau e a Vilã

Sem censura, politicamente correcto ou interesses instalados

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06
Out18

O Caso Cristiano Ronaldo - A Identidade do Agressor Altera o Conceito de Violação?

A Vilã

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   Não sei se Cristiano Ronaldo é culpado ou inocente da acusação de violação feita por Kathryn Mayorga. Neste altura, poucas pessoas saberão. Também não me parece que estejamos perante um caso de fake news porque a reportagem jornalística apresentada pela revista alemã Der Spiegel é longa, detalhada, minuciosa e muito bem construída. Acho importante ler o artigo para compreender melhor toda a situação, por isso aqui fica o link para o mesmo.

   Aquilo que me custa a perceber são as reacções que tenho visto a este caso e que levam à questão que coloquei no título deste post. Em princípio, toda a gente concorda que o significado de violar uma pessoa é forçá-la a fazer algo contra a sua vontade. Afinal, parece que não! Os argumentos utilizados para defender a inocência de CR mostram que esse conceito é flexível e parece depender da identidade do agressor. Senão vejamos:

  •   Argumento nº 1 - "Então mas não se vê mesmo o que é que ela queria, ali a dançar na discoteca daquela maneira provocadora" - não está em causa que houve uma relação sexual consentida (ambos quiseram, não foi só ela), o que não significa que isso dê direito a que uma das partes viole a outra.
  •   Argumento nº 2 - "Ela quis ir para a cama com ele e agora queixa-se" - ter sexo com alguém não significa que haja permissão para fazer tudo, o direito a recusar, a dizer não, continua a existir mesmo durante a relação.
  •  Argumento nº 3 -  "Ele não precisa, pode ter as mulheres que quiser" - independentemente do seu status, dinheiro ou aparência, ninguém "precisa" de violar outra pessoa, o que não significa que não o possa fazer
  •  Argumento nº 4 - "Ela quer é aparecer e conseguir ganhar dinheiro à custa dele" - quando o agressor é famoso e rico pode violar quem lhe apetecer porque qualquer acusação contra ele nunca será credível, por ser fruto da ambição de fama e fortuna.

   Não vale a pena alongar-me mais nos argumentos porque julgo serem suficientes para mostrar que não fazem o mínimo sentido. De acordo com este tipo de argumentação, uma prostituta não pode ser violada, uma mulher casada não pode ser violada pelo marido. Desde que haja sexo, então a partir daí há permissão para tudo. É mesmo isto que as pessoas pensam ou é só por ser o CR?

    Isto faz-me temer que, em certos temas, a evolução do pensamento humano ainda esteja muito longe do que seria desejável. Parece que existe uma capa que esconde todo um mar de ignorância que vem à tona, de vez em quando, para mostrar que ainda temos muito caminho para fazer.

    Espero que fique claro que não tenho qualquer opinião sobre a culpabilidade ou inocência de CR mas não aceito que o status, seja de quem for, possa minimizar o acto de violação.

 

                         O BOMa persistência do trabalho jornalístico de qualidade

                         O MAUperceber que muita gente não entende o conceito de violação

                      VEREDITO - afinal ainda há um longo caminho a percorrer na educação sobre esta temática

 

 

 

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Comentários recentes

  • HD

  • A Vilã

    Também achei!

  • HD

    Muito engraçado e bem conseguido :-)

  • A Vilã

    É verdade, fica aquela sensação de que quem vê não...

  • Triptofano!

    É realmente das piores coisas que pode acontecer, ...

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